ENTREVISTA – MARIA MURAD PACCINI

ENTREVISTA – MARIA MURAD PACCINI

A Dra. Maria Murad é advogada, atualmente prestando serviços na empresa Cummins Inc. em São Paulo/SP onde reside. A trajetória dela é excepcional, um espelho para quem pretende atuar na área corporativa jurídica, e um exemplo de determinação para profissionais de qualquer área, já que após ter concluído o curso de Direito em Presidente Prudente/SP mudou-se para São Paulo/SP e sozinha desenhou sua carreira, com muito foco e persistência. Espero que essa entrevista possa ser um incentivo para quem está iniciando sua trajetória ou também para aqueles que a qualquer momento desejam buscar seus sonhos. Registro importante: não tem nenhum advogado na família da Maria que pudesse ter um escritório e assim auxiliá-la na carreira. Adoro dizer isto: os melhores e maiores resultados de conquistas sempre vêm do esforço pessoal, ainda que exista alguém na família que possa auxiliar, é o seu comportamento que irá determinar sua trajetória de sucesso.

Entrevista:

1 – Por que decidiu fazer faculdade de Direito?
Maria: “Desde cedo minha inclinação natural era para a área de humanas e sempre gostei bastante de ler (resultado do incentivo da minha mãe, assim aproveitando o embalo: incentivem seus filhos desde cedo!). Pois bem, no final do colegial eu resolvi fazer um teste vocacional e uma das opções que apareceu no resultado foi o curso de Direito. Ao contrário de alguns colegas que vieram de famílias de advogados, promotores, etc… na minha família não tinha ninguém na área!
Nessa época a minha visão da carreira era uma visão bem romântica, talvez influenciada pelos filmes e seriados, com julgamentos do tribunal do júri e tudo mais. Continuo com a opinião de que quando se tem 17 anos (no meu caso 16) a visão romântica da profissão acaba determinando a escolha pelo curso, na grande maioria dos casos. De qualquer maneira, essa minha escolha foi bem aceita e aprovada pelos meus pais, então segui tranquila. “

2 – Na faculdade você já sabia qual área gostaria de atuar?
Maria: “Não, as coisas foram acontecendo naturalmente. No primeiro ano, em meio a todas aquelas matérias introdutórias, o Direito Penal era a estrela que mais brilhava. Nessa mesma época amava Direito Civil, depois conheci o Direito do Trabalho e também gostei, enfim…
Creio que os estágios são fundamentais para o direcionamento do aluno e é essencial na vivência prática das matérias.”

3 – Durante a Faculdade você fez estágios? Qual era seu foco durante a Faculdade?
Maria: “Sim, comecei no JEC (Juizado Especial Cível) depois passei em um concurso da Prefeitura e trabalhei no Procon e por último, estagiei em um escritório de advocacia cível e empresarial. Eu não tinha um foco claro, mas o plano era trabalhar nas áreas cível, empresarial e trabalhista.
O período de estágio foi essencial para amadurecer a postura profissional, aplicar os conceitos recebidos em sala de aula na vida real, aprender a lidar com o público (clientes, colegas de trabalho, chefes e funcionários públicos) e sentir se realmente eu estava na área certa para o meu perfil.”

4 – Como surgiu a oportunidade de trabalhar para Empresas? Você sempre delimitou a carreira corporativa ou em algum momento surgiu a vontade de estudar para concurso público?
Maria: “No início eu senti vontade de prestar concurso sim, sempre gostei de estudar e me agradava a questão da estabilidade e do ‘status’. Porém, 2 (dois) anos depois de me formar eu me casei e o ritmo de trabalho no escritório que eu trabalhava estava ótimo.
Logo depois nos mudamos de Presidente Prudente para São Paulo e a oportunidade de trabalhar para empresas surgiu nessa época. O diferencial no processo seletivo foi o inglês e em 2007 iniciei como advogada júnior em uma empresa americana.”

5 – Qual sua principal motivação, e qual o seu foco de estudo atualmente?
Maria: “Minha principal motivação continua sendo a mesma daquele primeiro dia de trabalho no JEC: ser útil nesta vida e usar meu conhecimento para trazer soluções. Atualmente meu foco de estudo é o Direito do Trabalho e há um ano e meio decidi estudar espanhol, já que passei a atender também a América Latina.”

6 – Descreva sua trajetória de trabalho, mencionando quais foram seus principais fatores de sucesso e conquistas no período.
Maria: “Iniciei minha carreira em escritórios de advocacia de médio porte (primeiro em Presidente Prudente/SP e depois em São Paulo/SP).
A experiência em escritórios foi ‘super importante’ para entender toda a dinâmica processual, a dificuldade por conta da morosidade da Justiça, enfim… toda a luta que um advogado que atua no contencioso enfrenta. Também a atuação em escritórios me ajudou bastante quando assumi o outro lado (o de cliente), pois certas demandas da empresa são realizadas por escritórios externos. Portanto, tenho parâmetros para cobrar a performance adequada, justamente porque já estive do outro lado e sei como as coisas funcionam.
Uma diferença real que existe entre advogar em escritório e advogar em empresa é que nas empresas seu cliente está na sala ao lado. Ele te manda um e-mail e já vem em seguida para cobrar a resposta. Então acaba sendo um trabalho bem mais dinâmico, em um ritmo mais acelerado em que as respostas devem ser dadas no calor do momento.
Não existe uma receita de sucesso, mas creio que a postura profissional, em qualquer área de atuação é o mais importante. Ser acessível às pessoas, contribuir ao invés de criar empecilhos, alertar sobre os riscos antes que uma operação seja realizada, ser parceiro do cliente interno e entender suas necessidades.
Administrar expectativas (nunca prometa o que não pode cumprir/entregar) e explicar sempre os próximos passos, pois na outra ponta sempre tem uma pessoa: (i) que tem uma questão e precisa da opinião de um advogado, (ii) que quer ser bem atendida, o que não significa que você vai sempre dizer o que seu cliente gostaria de ouvir, os embates são necessários e contribuem para o crescimento profissional) e (iii) que vai confiar em você se os argumentos forem bem posicionados.
Quando o trabalho é feito com boa vontade e atenção, os resultados aparecem naturalmente.
Se eu puder deixar uma dica é: faça bem feito, sempre tem alguém olhando.”

7 – Qual mensagem você gostaria de deixar para quem está se formando em Direito?
Maria: “Para quem está se formando minhas recomendações são: tenha humildade para aprender, esteja sempre aberto para ouvir o que os mais experientes têm a dizer, seja você mesmo, persiga seus objetivos e nunca deixe de estudar. Procure se aperfeiçoar não só como profissional, mas também como ser humano. Quando nos colocamos no lugar do outro, conseguimos entender melhor a situação e poderemos atendê-lo da melhor forma. Boa sorte na vida e pense no legado que você quer deixar para o mundo.”

Amei essa entrevista. Vejam quanta informação legal e importante nas respostas. Maria estudou comigo em Presidente Prudente/SP e sempre se destacou por ser uma aluna questionadora e interessada em sala de aula. Nada acontece por acaso, e o sucesso é a constante busca em resultado e aperfeiçoamento. Apesar da extensa experiência ela está sempre estudando, essa humildade é, na minha opinião, o maior diferencial de um profissional. Muito obrigada Maria, pelo seu tempo, por sua contribuição a outros profissionais, e parabéns pela profissional e ser humano que você se tornou.

Beijos a todos, espero que gostem!

Marcia Menegassi
Dúvidas mais específicas estou disponível no e-mail: marcia@marciamenegassi.com.br

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